Seguimos com algumas reflexões sobre a ideia de verdade e seus impactos em nossa atualidade pela vertente das "fake news".
Gostaria de compartilhar aqui alguns dados de pesquisas sobre o tema, que agora é mais relevante do que nunca:
"Canais no Youtube que compartilham fake news sobre o covid-19 são 3 vezes mais acessados do que os canais oficiais de comunicação.
Sites com conteúdos com desinformação tinham 73.429.098 visualizações contra 27.712.722 visualizações dos canais oficiais."
Existem sites que relacionam a pandemia como plano conspiratório com viés político, responsabilizando os chineses/comunistas/grande mídia pela disseminação da doença. Ora relativizando a gravidade da mesma, ora dizendo que ela é uma criação fantasiosa para submissão das pessoas à uma dominação mais rígida por parte dos governos. Usam de depoimento de médicos e youtubers para propagarem suas ideias.
"O médico Jea Myung Yoo, por exemplo, declara com todas as letras: “Coronavírus, esse novo que apareceu, não é problema nenhum. Sua imunidade é que realmente determina se você vai ser infectado ou não”. Segundo ele, “se as suas células do sistema de defesa estão funcionando bem, você pode ficar deambulando nos shoppings, em qualquer lugar, você pode abraçar aquele que está com esse vírus, não importa, gente, não tem problema nenhum”. Seu vídeo já foi visto mais de 765 mil."
"O canal do médico Belmiro D'Arce tem cerca 2,4 mil inscritos e a média dos últimos 20 vídeos é de cerca de 374 views. Já o vídeo de Belmiro divulgado por Bolsonaro já soma 113 mil visualizações."
Existe também uma linha religiosa que visa relativizar a gravidade da pandemia como uma espécie de resistência ortodoxa da fé contra o poder dado aos especialistas da ciência.
Em um momento que não temos curas disponíveis e o comportamento da população é fundamental para que a doença não se espalhe, estamos passando por essa epidemia de notícias falsas que ameaça nossas vidas. Não temos ainda uma reação proporcional à gravidade da situação porque todo aparato burocrático dos órgãos reguladores não tem parâmetros para dimensionar o que está em curso no meio de nossa cultura "digitalizada".
Acredito que precisamos de mais pesquisas desse tipo para entender melhor a dinâmica de espalhamento e construção das fake news, o que não se trata de mera desqualificação técnica(trabalho já realizado pelos sites de checagem), mas de uma compreensão dos mecanismos subjetivos que usam as fake news para se expressar e coordenar seus consumidores.
A tese que eu estou construindo é que as fake news crescem no vazio estrutural deixado pelo avanço das redes sociais em relação às mídias tradicionais, abismo que é paralelo à distância entre a verdade neutra e a verdade atomizada do usuário virtual do grupo de whatsapp.
Pesquisa da qual extrai as citações em itálico:
“Ciência Contaminada - Analisando o contágio de desinformação sobre coronavírus via YouTube”
https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/05/canais-de-fake-news-sobre-covid-19-no-youtube-sao-vistos-quase-3-vezes-mais-que-os-de-dados-reais.shtml
Acredito que precisamos de mais pesquisas desse tipo para entender melhor a dinâmica de espalhamento e construção das fake news, o que não se trata de mera desqualificação técnica(trabalho já realizado pelos sites de checagem), mas de uma compreensão dos mecanismos subjetivos que usam as fake news para se expressar e coordenar seus consumidores.
A tese que eu estou construindo é que as fake news crescem no vazio estrutural deixado pelo avanço das redes sociais em relação às mídias tradicionais, abismo que é paralelo à distância entre a verdade neutra e a verdade atomizada do usuário virtual do grupo de whatsapp.
Pesquisa da qual extrai as citações em itálico:
“Ciência Contaminada - Analisando o contágio de desinformação sobre coronavírus via YouTube”
https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/05/canais-de-fake-news-sobre-covid-19-no-youtube-sao-vistos-quase-3-vezes-mais-que-os-de-dados-reais.shtml
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